Inès Moreau-Diallo
As margens do rio Senegal depois da barragem
Saint-Louis, Senegal

Arquivo pessoal
- Ano
- 2025
- Lugar
- Saint-Louis, Senegal
- Período da viagem
- fev.–jul. 2025
- Formação
- Mestrado em Jornalismo, Sciences Po; licenciatura em Geografia, Universidade Paris 1
- Tema
- Ecologia
Nascida em Rennes, filha de mãe senegalesa e pai bretão, Inès Moreau-Diallo cresceu ouvindo falar de um rio que nunca tinha visto. Estudou geografia antes de chegar ao jornalismo, e é dessa dupla formação que vem o seu método: mapas desenhados à mão, entrevistas longas e gravações de som feitas no lugar. Antes do prêmio, colaborou com rádios comunitárias na Bretanha e publicou reportagens curtas sobre a pesca artesanal no Atlântico.
Durante cinco meses, Inès Moreau-Diallo seguiu o curso do rio Senegal desde a barragem de Diama até a foz, em Saint-Louis. A pergunta de partida era simples: o que muda na vida de quem depende de um rio quando ele passa a ser controlado por comportas? A resposta, ela descobriu, não cabia em um só formato.

Guet Ndar, o bairro dos pescadores de Saint-Louis, em uma manhã de março.
Inès Moreau-Diallo
Um rio entre duas águas
Construída nos anos 1980 para impedir a subida da água salgada, a barragem de Diama transformou o delta. A agricultura irrigada cresceu, o arroz chegou a lugares onde antes só havia sal, e com ele vieram novas doenças, novas plantas invasoras e uma outra relação com o tempo. Os mais velhos contam o rio pelo calendário das cheias; os mais novos, pelo horário de abertura das comportas.

A barragem de Diama, a 27 km da foz.
Inès Moreau-Diallo
Inès entrevistou agricultores, pescadoras, engenheiros da organização que administra o rio e professores de escola primária. Passou semanas em Ross Béthio e em Gandiol, onde o mar abriu uma brecha na língua de areia em 2003 e engoliu aldeias inteiras. Em cada lugar, pedia a alguém que desenhasse o rio em um caderno: o resultado é um atlas afetivo com mais de sessenta mapas.

Um dos mapas do caderno de campo, desenhado por uma pescadora de Gandiol.
Inès Moreau-Diallo
“Antes, o rio decidia. Agora, alguém em um escritório decide por ele. Nós continuamos lendo a água, mas a água mudou de língua.” — Awa Sarr, pescadora em Gandiol
As mulheres do peixe defumado
Uma parte importante do trabalho foi dedicada às beneficiadoras de pescado de Guet Ndar. São elas que salgam, secam e defumam o peixe que chega nas pirogas, e são elas as primeiras a sentir a queda das capturas. Inès acompanhou um grupo de doze mulheres durante a estação seca e registrou as conversas, as canções e os ruídos do trabalho.

As defumadoras de Guet Ndar começam o trabalho antes do nascer do sol.
Inès Moreau-Diallo
Paisagem sonora: o rio à noite
Rãs, trânsito e o trem ao longe: gravação feita na margem, perto da ponte.
O documentário que acompanha a investigação mostra o mesmo litoral visto por outros cineastas, a partir da crise da pesca na costa senegalesa. Inès usou-o como ponto de partida para as conversas com os pescadores, que comentavam as imagens e corrigiam o que achavam errado.
Golden Fish, African Fish
Documentário de Thomas Grand e Moussa Diop sobre a pesca no Senegal, exibido nas sessões de escuta.
O arroz e o sal
Rio acima, o cenário muda. Os campos de arroz irrigado estendem-se até o horizonte, e as aldeias que antes viviam da pesca e da criação de gado dependem agora das motobombas e do preço do combustível. Inès descreve essa paisagem nova sem nostalgia: há quem tenha enriquecido, há quem tenha partido, e há sobretudo quem tenha aprendido a viver entre dois mundos.

Arrozais perto de Ross Béthio, em junho.
Inès Moreau-Diallo
- Mais de 80 entrevistas gravadas, em wolof, pulaar e francês.
- Um atlas de 64 mapas desenhados por moradores do delta.
- Doze horas de som do rio, do mercado e das zonas de transformação de pescado.
Reportagens da África, na rádio
A série de reportagens radiofônicas que inspirou o formato curto do podcast.
Ler em voz alta
Ao voltar, Inès leu trechos do caderno de viagem em uma sessão pública organizada com a Sens Public. A leitura foi gravada e está disponível abaixo, com a transcrição.
Leitura do caderno de viagem
Gravado em Paris, em outubro de 2025.
Ler a transcrição
Doze de março. O rio está baixo e a água tem a cor do chá. Awa diz que, quando era menina, a maré chegava até a porta de casa. Hoje é preciso caminhar meia hora para encontrar o mar. Desenhou o rio no meu caderno com três traços e uma cruz: a cruz é a barragem.

A ponte Faidherbe, que liga a ilha ao continente.
Inès Moreau-Diallo
Conversa: as cidades da África Ocidental
Entrevista de referência usada no seminário de preparação da viagem.
O trabalho continua: Inès prepara uma versão em livro do atlas, com textos em francês e em wolof, e uma exposição itinerante que deve passar por Saint-Louis antes de chegar a Paris.
O que resultou da viagem
- Artigo
As margens do rio depois da barragem
Sens Public · 2025
- Podcast
Vozes do rio, 4 episódios
Spotify · 2025
- RelatórioPDF, 24,1 kB
Caderno de campo do delta
2025
- Exposição
Desenhar o rio
Institut français de Saint-Louis · 2026

